Conheça a história do feriado da proclamação da República

Divulgação / Pixabay

Entender a história da proclamação da República é essencial porque a data marca a transição de um regime monárquico, centralizador, autoritário, muito ligado ao século XIX e aos séculos anteriores da história mundial e, particularmente ao período imperial no Brasil, para um projeto político que prometia a modernização, maior participação dos cidadãos e renovação das instituições que, a essa altura, já estavam desgastadas.

É o que esclarece o historiador Ricardo Carvalho em entrevista exclusiva ao BNews. “Mesmo que esse processo tenha sido conduzido por uma elite militar, por setores que compunham a classe média da sociedade civil, que tem excluído a maior parte da população, ele abriu caminhos para discussões que ainda moldam o Brasil até hoje. Então, conhecer esse episódio permite enxergar de onde vêm as estruturas que governam a vida pública brasileira atualmente”, pontua.

Segundo o professor, além disso, compreender esse momento nos ajuda a questionar os limites, as contradições do próprio modelo republicano que vivemos hoje. Ela lembra que, muitas das promessas de 1989, como, por exemplo, relacionadas às ações das conquistas dos direitos, de cidadania, a maior representatividade continuam ainda em aberto, em disputa no Brasil. “Ou seja, olhar para a aclamação não é um exercício de nostalgia histórica, mas é uma ferramenta para a gente pensar o presente e os futuros rumos do Brasil”.

Quando questionado sobre de que forma os ideais republicanos fundamentam o sistema político brasileiro atual, o historiador salienta que existem poucas diferenças daquele modelo que foi aprovado em 15 de novembro de 1889 para o formato de hoje. “Mas os ideais republicanos, especialmente os da soberania popular, da responsabilidade dos governantes e alternância do poder, continuam sendo os pilares do modelo político brasileiro, apesar de alguns intervalos críticos, como as ditaduras de [Getúlio] Vargas e a militar. A ideia é de que é do povo que emana o poder”, frisa Carvalho.

Segundo o professor, ao ser indagado se a República Brasileira em seus mais de 130 anos atingiu os ideais propostos em sua proclamação, de modo geral, é possível dizer que o Brasil avançou, mas está muito longe de cumprir plenamente os ideais que foram proclamados em 1889.

“A República começou bem elitizada, sem participação popular, com forte domínio dos militares, a chamada República da Espada. E depois das oligarquias regionais, durante a República Velha, ao longo das décadas, a gente passou por períodos democráticos, autoritários e isso mostra que a construção da República não segue uma linha reta. Consensos republicanos, como respeito às liberdades civis e à soberania popular, só passaram a existir, de forma consistente mesmo, após a Constituição de 1988”, explica Ricardo Carvalho.

 Bnews

google news