Dino defende penas mais altas e perda automática de cargo para integrantes do Judiciário em casos de corrupção

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, defendeu neste domingo (26) a necessidade de reformar o Código Penal para endurecer a punição contra crimes cometidos por integrantes do Judiciário. Entre esses integrantes, Dino cita juízes, procuradores, advogados (públicos e privados), defensores, promotores, assessores, servidores do sistema de Justiça em geral.

A proposta surge logo após o ministro sugerir, em outro texto recente, a revisão de competências do STF e de tribunais superiores. O artigo de agora foi escrito para o jornal “Correio Braziliense”. As três principais propostas de Dino são:

  • punições mais altas;
  • afastamento imediato;
  • tipificação ampla da obstrução de Justiça.

Punições mais altas

Dino sugere a ampliação das penas para crimes como peculato, concussão, corrupção passiva, prevaricação e tráfico de influência quando cometidos por profissionais do direito no exercício de suas funções. Dino defende ainda um “espelhamento” de delitos já existentes, mas com sanções maiores devido à gravidade de trair a confiança do sistema.

Afastamento imediato

O ministro sai em defesa de regras que imponham o afastamento imediato das funções assim que a denúncia for recebida pela Justiça. A condenação definitiva (transitado em julgado) deve gerar a perda automática do cargo, sem necessidade de outras etapas. No caso de advogados, o recebimento da denúncia geraria suspensão na OAB e a condenação, o cancelamento definitivo do registro.

Tipificação ampla da obstrução de justiça

O magistrado propõe também a criminalização de ações que visem impedir, embaraçar ou retaliar o andamento de processos ou investigações. A novidade é que essa punição deve ocorrer independentemente de o crime estar ou não relacionado a organizações criminosas, justificando-se pela gravidade de qualquer obstrução ao bom funcionamento da Justiça. 

G1

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