Os dez maiores cachês pagos por 137 prefeituras baianas para o São João de 2026 concentram-se em artistas que não têm o forró tradicional como ritmo.
Os dados, obtidos a partir do portal da transparência do Ministério Público da Bahia (MP-BA), mostram valores que chegam a R$ 1,1 milhão, enquanto nomes históricos do forró recebem até R$ 250 mil. A disparidade gerou críticas de artistas e do público, que cobram valorização da cultura nordestina.
Quem são os artistas com maiores cachês
A lista reúne nomes do sertanejo e de outros estilos populares no circuito comercial de festas. Nenhum deles representa o forró tradicional:
- Gusttavo Lima — R$ 1,1 milhão
- Wesley Safadão — R$ 1 milhão
- Luan Santana / Victor e Léo — R$ 750 mil
- Nattan / Ana Castela — R$ 700 mil
- Zé Neto e Cristiano — R$ 670 mil
- Maiara e Maraisa — R$ 654 mil
- Leonardo / Bruno e Marrone — R$ 650 mil
Dos dez artistas, apenas Wesley Safadão e Nattan são nordestinos e ligados ao forró estilizado. Ainda assim, os valores pagos a esse grupo chegam a ser mais de quatro vezes maiores do que os cachês de artistas tradicionais do São João, como Alceu Valença, Elba Ramalho e Alcymar Monteiro.
Críticas e reação dos forrozeiros
A discrepância dos cachês gerou reação de forrozeiros. O cantor Flávio José anunciou o cancelamento de cerca de 15 shows na Bahia. Segundo ele, prefeituras se recusaram a pagar o cachê solicitado para 2026.
“Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas que nada têm a ver com forró, como sertanejos, ganham rios de dinheiro”, disse.
Flávio José cobra R$ 350 mil por apresentação. O valor é 40% maior que o de 2025, o que motivou questionamentos do MP-BA.
A reação foi imediata. Internautas passaram a questionar por que artistas de outros ritmos recebem valores até três vezes maiores sem restrições. O cantor Santanna também criticou:
“A cultura popular nordestina está sendo vilipendiada depois desse ataque ao nosso maior nome do forró”.
Em entrevista ao PipocaCast, ele já havia apontado perda de espaço dos forrozeiros: “Eu notava que já existia uma vontade de tirar a gente. Eu, Flávio José…”.
O cantor e compositor Flávio Leandro também se manifestou, destacando desigualdade nos cachês:
“Existe a farra dos cachês, sim. É clara, nítida; mas tem uma lista de coisas inconclusas e a maior de todas elas é o piso dos cachês de artistas de bairro, dos trios de forró, de Zé, de Maria, de Pedro e de Chiquinha, que se submetem a cachês humilhantes que roubam sonhos, paz e dignidade. E eu, gente, sinceramente não vejo o Ministério brigando por essa dignidade, da qual depende um número imenso de artistas.”
Segundo levantamento feito pelo Uol, há 201 cachês inferiores a R$ 1.000 pagos a artistas locais na Bahia, incluindo apresentações de R$ 200.
Flávio Leandro também saiu em defesa de Flávio José: “Ele tem público para lotar qualquer casa de show do país. Acontece que ele próprio filtra a quantidade de apresentações anuais, prova de que tem uma vida financeira resolvida. É lamentável que o filtro necessário do MP não consiga extrair a grandiosidade de Flávio José para o São João e o trate de forma simplista, apenas com números. Isso é absurdo.”
O que diz o MP-BA
O MP-BA (Ministério Público da Bahia) afirma que atua desde 2022 com um portal de transparência para monitorar os gastos das festas juninas. Segundo o órgão, os valores médios dos contratos subiram de R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil nos últimos quatro anos.
Diante disso, a recomendação para 2026 foi limitar os cachês ao valor pago em 2025, acrescido da inflação. De acordo com o MP-BA, a ação já resultou em uma redução de R$ 18,7 milhões nos cachês, em relação ao ano passado. Até o momento foram revistos 501 contratos em 214 municípios de todo o estado. A expectativa é de que nos próximos dias o corte alcance valores ainda mais expressivos.
O órgão também explicou que as recomendações buscam a adequação do contrato às orientações técnicas dos órgãos de controle, construídas a pedido dos próprios gestores municipais, via União dos Municípios da Bahia (UPB).
O MP-BA também afirmou que notificou mais de cem municípios por pagamentos acima do recomendado, incluindo contratações de Flávio José por R$ 350 mil. O órgão sustenta que critérios como notoriedade e projeção artística influenciam os valores.
Bnews

Djalma Almeida Paixão é natural de Santo Antônio de Jesus.
Com muita dedicação e muitos estudos, Djalma formou-se em rádio e televisão pelo (ICB), Instituto do Conhecimento da Bahia, e possui o registro de número 8747/BA.
Dalma Almeida é formado em Análises Clínicas, Administração de empresa e Língua inglesa pela Uneb (Universidade do Estado da Bahia)
Djalma Almeida também é licenciado em Pedagogia pela Unifacs (Universidade Salvador), e possui vários cursos na área da educação como : Educacação Inclusiva, Neuroeducação, Coordenação Pedagógica, e Ensino Remoto através da Educação Inclusiva.
Djalma Almeida agora é pós graduando em psicopedagogia pela Unifacs, universidade o qual é licenciado em pedagogia.
Seu grande talento e inspiração pelo rádio começou em 1990 na rádio Recôncavo Fm, quando operava na frequência de 104,3, hoje operando em 98,5 Mhz, atuando como Disc jockey (Programação musical), e atuou também na rádio Clube Am como repórter quando operava em 680 Khz, hoje operando em Fm em 92,7 Mhz.
Atualmente, é repórter da rádio Prazeres Fm 87,9, na cidade de Jiquiriçá, com atuação dentro do programa “Conexão do Vale”. Djalma também foi por mais de três anos o redator e editor do site da rádio Prazeres Fm 87,9.
Também é o proprietário do site “Cidadedaspalmeirasnews.com.br”, onde ocupa o mesmo cargo.
Djalma Almeida também é servidor público estadual, onde desempenha a sua função com dedicação a mais de 37 anos de bons serviços prestados a população.
