Tecnologia facilita abuso sexual contra 20 milhões de crianças em um ano.

Foto- Bruno Peres/Agência Brasil

Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países sofreram, em um período de um ano, algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia.

O número faz parte do relatório Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil, divulgado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O levantamento aponta ainda que cerca de 9 milhões foram induzidos a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens desse tipo contra a própria vontade. Em outros 4 milhões de casos, imagens das vítimas foram vazadas. Já o número de crianças expostas a conteúdo sexual indesejado é estimado em 15 milhões.

Segundo o relatório, os números podem ser ainda maiores. Isso porque muitas vítimas não contam a ninguém o que aconteceu. Durante a coleta de informações, mais de 40% das ocorrências relatadas não haviam sido reveladas pelas próprias vítimas. O principal motivo apontado para o silêncio foi não saber onde ou a quem pedir ajuda.

As redes sociais concentram a maior parte das violações. Em média, cerca de 60% dos casos ocorreram em plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp.

Os jogos online também aparecem entre os ambientes usados para a prática dos abusos. Cerca de 14% dos crimes ocorreram enquanto as vítimas estavam jogando. O relatório aponta que a dinâmica dessas plataformas pode favorecer as violações porque as relações entre jogadores envolvem a construção de confiança.

Outro dado chama atenção: mais da metade dos casos declarados aos pesquisadores, 57%, envolvia alguém do convívio da criança ou do adolescente. Estavam entre os suspeitos familiares, conhecidos, amigos, namorados e namoradas. O resultado contraria a ideia de que a violência sexual praticada pela internet é cometida principalmente por desconhecidos.

Por outro lado, 38% das vítimas disseram ter encontrado os agressores pela primeira vez na internet. Segundo o relatório, contas falsas e o envio de mensagens privadas estão entre os recursos que facilitam esse tipo de violação.

Sociedadeonline

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