Filha de procurador que virou delegada após ser eliminada de concurso quer R$ 50 mil de indenização depois de ser exposta

Ariana Sampaio Sousa alega danos morais após ser exposta em redes sociais por candidato, questionando sua nomeação como delegada

Foto- Reprodução

A delegada Ariana Sampaio Sousa entrou com uma ação pedindo R$ 50 mil por danos morais contra o candidato Kelson Francisco, que a expôs nas redes sociais e questionou sua nomeação em um concurso público. A delegada tomou posse após uma decisão judicial, mesmo tendo ficado na 2.018ª colocação no concurso para delegado da Polícia Civil do Maranhão. A informação é de Carlos Madeiro, colunista do Uol.

Ariana também conseguiu uma decisão judicial que determinou a retirada de um vídeo publicado por Kelson, no qual o candidato comentava o caso e divulgava informações sobre a decisão que permitiu a posse da delegada.

Segundo a defesa de Ariana, a publicação teria ultrapassado os limites da crítica ao atribuir à delegada suposta fraude ou favorecimento, sem apresentar comprovação.

Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 2 mil. A determinação é do juiz Paulo Roberto Brasil Teles de Menezes, da 6ª Vara Cível de São Luís. O magistrado ordenou a remoção imediata do vídeo e proibiu novas publicações que acusem a delegada de favorecimento sem provas relacionadas ao processo de nomeação.

ENTENDA O CASO

Ariana foi eliminada do concurso em 2017, após ficar na 2.018ª posição na prova objetiva. O edital previa inicialmente 20 vagas e limitava a convocação para a prova discursiva aos 225 primeiros candidatos da ampla concorrência.

A candidata, porém, questionou judicialmente a cláusula de barreira. Na ação, argumentou ter acertado 60 das 100 questões e atingido os critérios mínimos previstos para a classificação na prova objetiva.

Em abril de 2025, uma decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís permitiu sua nomeação. Ariana tomou posse em maio daquele ano e atualmente exerce a função de delegada em Bacabal.

A Procuradoria-Geral do Estado do Maranhão (PGE) recorreu da decisão que autorizou a posse. O órgão defende a validade das regras previstas no edital e afirma que a candidata não teria cumprido os requisitos para avançar às etapas seguintes do concurso. O recurso ainda depende de análise do Tribunal de Justiça do Maranhão.

No processo contra Kelson, Ariana também afirma que a publicação citou seu pai, Francisco Barros Sousa, procurador de Justiça, e seu tio, Raimundo Barros, desembargador. A defesa da delegada sustenta que a exposição pública foi baseada, segundo os advogados, em uma versão falsa e sem provas.

Kelson, por sua vez, negou a intenção de atingir a honra da delegada e afirmou que suas críticas eram direcionadas ao sistema e às decisões relacionadas ao concurso. O candidato declarou que sua manifestação foi baseada em documentos públicos, decisões judiciais e pareceres do Ministério Público.

A ação que pede a indenização de R$ 50 mil tramita separadamente da disputa judicial envolvendo a nomeação da delegada.

Bnews

google news