Traficantes anunciam venda de drogas em cartazes de mercado na Baixada

Placas penduradas em um ponto em São João de Meriti mostravam os nomes, preços e valores – por grama – dos entorpecentes

Policiais encontraram cartazes anunciando venda de drogas na Bacia do Éden Reprodução

Uma ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF) localizou um ponto na comunidade Bacia do Éden, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde traficantes usavam cartazes iguais aos de supermercados com divulgação de ofertas para anunciar a venda de drogas. No material, era possível conferir nomes, preços e valores – por grama – dos entorpecentes. A investida ocorreu na terça-feira e terminou com um preso em flagrante.

Durante as buscas na região, dominada pelo Comando Vermelho (CV), os agentes encontraram anúncios de Ice, por R$ 74,99 a grama; PAC, por R$ 19,99; Flor (que pode se referir a maconha), por R$ 9,99; e Colômbia Gold (também maconha), por R$ 11,99. Os entorpecentes foram apreendidos.

As equipes ainda localizaram muros pintados com referências à maconha e à bandeira da Turquia. Segundo a tradição bíblica, o Rio Eufrates – que nasce no país europeu – é um dos rios que irrigava o Jardim do Éden.

De acordo com a Polícia Civil, o homem preso atuava como “olheiro” do tráfico, sendo responsável pelo monitoramento da movimentação das forças policiais e pelo alerta aos demais integrantes da facção.

Com ele, foi apreendido um rádio comunicador. O equipamento era usado para comunicação interna e para monitoramento da atividade policial.

No mesmo dia, agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) realizaram uma operação contra uma milícia atuante no Complexo do Morro do Pau Branco e na região de Venda Velha, também em São João de Meriti. Três pessoas foram presas em flagrante, incluindo uma mulher que seria companheira de um dos investigados.

As investigações identificaram que o grupo paramilitar atua sob o comando de Evandro Costa de Souza, conhecido como Monstrão e Vando. Segundo apurações, o miliciano usa força armada para sustentar a influência na região, cobrando, ameaçando e intimidando os moradores e comerciantes.

Entre os investigados estão Rodrigo Lino de Lima, conhecido como RD, e Carlos Donato Ximenes Melo, o Papel. As investigações revelaram que imóveis relacionados aos suspeitos estariam sendo utilizados para guarda, esconderijo e armazenamento de armas empregadas nas atividades da milícia.

Policiais encontraram seteiras na casa de Rodrigo. De acordo com a corporação, as aberturas nas paredes eram usadas para disparar armas de dentro do imóvel sem expor os criminosos, reforçando a opressão e o controle armado contra moradores e comerciantes da região.

Três pessoas foram presas em flagrante durante a operação. Um homem por porte ilegal de arma de fogo, outro com um material de cobrança da milícia e uma mulher por constituição de milícia privada. Ela, que é companheira de Rodrigo, estava na residência adaptada para confrontos.

O Dia

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