Empresários da cidade de Jacobina formam grupo para planejar demissão em massa de funcionários que votaram em Lula

Inconformados com resultado das urnas, lojistas planejam vingança contra eleitores do petista |

Foto- Divulgação

Um caso grave de assédio eleitoral vem sendo planejado por empresários de Jacobina, município localizado na região do Piemonte da Chapada Diamantina. Donos de estabelecimentos da cidade de 86 mil habitantes criaram um movimento para demitir funcionários que votaram no presidente Lula (PT). 

A ofensiva contra os eleitores do petista foi organizada através do grupo de WhatsApp batizado de DIJ – Direita Independente de Jacobina que reúne mais de 250 pessoas, todas elas apoiadoras do senador e candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os integrantes está o candidato a deputado estadual Dr. Rafael Mesquita (PL), que obteve 5.617 votos e ficou na suplência. As mensagens do grupo foram expostas nas redes sociais e mostra a intolerância dos patrões.

Um outro membro do grupo pediu a perda de emprego para “esquerdistas”, mas clamou que “o pessoal da direita de bem”, tenha os seus trabalhados preservados

“Eles têm que sentir na pele, sentir o golpe duro na pele. Deus me perdoe, mas tomara que tenha demissão em massa aqui no comércio. Tomara que pegue muito esquerdista. O pessoal da direita de bem, trabalhador, as pessoas que tem Deus no coração não, entendeu? Mas esses esquerdista aí, vagabundo, tomara que tenha demissão em massa aí, só para mim ver (sic) a bagaceira. Deus me perdoe”, reforçou.

Já uma outra dona do próprio negócio, sugeriu que fosse feito um boicote às empresas cujos os responsáveis tenham votado no presidente Lula. 

“Se a gente continuar apoiando esses pequenos empreendedores de esquerda, continuar comprando, continuar ajudando, eles nunca vão tomar vergonha na cara e querer procurar uma mudança. Eles sempre vão continuar votando nessa desgraça do PT. Nós não temos que apoiar mais. Ai, é o quê? PT? Não compro mais não. Tem que ser assim mesmo, concordo totalmente”, ressaltou. 

Veja o vídeo com as conversas do grupo: 

Prefeitura ameaça servidores

No dia 24 de outubro, véspera do segundo turno, a Justiça do Trabalho determinou medidas urgentes contra a Prefeitura de Jacobina, após uma denúncia de possível assédio eleitoral envolvendo trabalhadores do município.

A decisão, assinada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5), também estabelece obrigações para Leopoldo Moraes Passos, chefe de gabinete da gestão municipal e marido da prefeita, Valdice Castro (PMB). O fato curioso é que a gestora é aliada do governador, Jerônimo Rodrigues (PT), e apoiou a reeleição do petista, participando até de atos políticos ao lado dele.

A ação foi apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que recebeu uma denúncia sob sigilo. Segundo o órgão, Leopoldo teria realizado reuniões e contatos com servidores e outros trabalhadores, pressionando-os a publicar propaganda política nos status do WhatsApp e a votar no candidato identificado pelo número 22 no segundo turno das eleições de 2026.

De acordo com a decisão judicial, os trabalhadores teriam sido constrangidos com a possibilidade de perder o emprego ou ser excluídos do quadro de pessoal caso não atendessem às exigências. As alegações ainda dependem de apuração, e o juiz ressaltou que a decisão não representa um julgamento definitivo de culpa criminal, eleitoral ou por improbidade administrativa.

Assédio eleitoral cresce depois das eleições

Casos de retaliação a eleitores como o de Jacobina, vem acontecendo em diversas cidades do Brasil após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. 

Das 2.177 denúncias de assédio eleitoral registradas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2026, mais de 530 foram apresentadas após o resultado da eleição presidencial, cerca de 24,3% do total.

O MPT da Bahia recebeu 79 denúncias de assédio eleitoral este ano. Novos casos seguem chegando ao órgão, que seguirá apurando situações que possam se configurar como assédio eleitoral no trabalho. 

Até o momento, foram registradas cinco assinaturas de Termos de Ajuste de Conduta (TACs), seis ações ajuizadas, todas com liminares deferidas pela Justiça, e 45 recomendações expedidas. O MPT contabiliza 61 procedimentos ativos de assédio eleitoral, mas novas denúncias podem ser feitas no portal ou nas unidades do órgão.

O assédio eleitoral nas relações de trabalho se caracteriza quando trabalhadores são submetidos a constrangimento, ameaça, pressão ou tentativa de direcionamento de suas escolhas políticas. O MPT atua por meio do recebimento e da apuração de denúncias, da expedição de recomendações, da celebração de acordos e do ajuizamento de ações para assegurar a liberdade de consciência e o direito de voto dos trabalhadores.

Bnews

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