Bacellar, Adilsinho e Márcio Poncio são alvos de operação da PF

Ação investiga lavagem de dinheiro da nova cúpula do jogo do bicho e possível esquema com integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo

Rodrigo Bacellar, Adilsinho e Márcio Poncio são alvos de operação da PF Reprodução / Érica Martin / Arquivo O DIA / Reprodução

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga a lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e possível esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Os agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão na cidade do Rio e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Os três alvos de prisão preventiva foram o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho; o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar; e o pastor Márcio Poncio.

Adilsinho, apontado como chefe da máfia de cigarros ilegais, e Bacellar já estão presos. Após a operação deflagrada nesta quinta, o antigo deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj) será transferido para um presídio federal.

Poncio – que é pastor da Igreja da Nuvem, dono de uma fábrica de cigarros e suplente de deputado federal – foi detido pelos agentes. O empresário tem dois filhos, a deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade) e o cantor Saulo Poncio, frutos do casamento com Simone Poncio.

Os policiais também cumpriram busca e apreensão contra o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Nas redes sociais, a advogada dele, Patrícia Proetti, se pronunciou sobre a investigação.

“Marco Antônio Cabral recebeu um mandado de busca de apreensão, cujo cumprimento ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades. Ele nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita. Marco Antônio reafirma seu respeito às instituições e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários”.

Marco Antônio é advogado e foi Secretário Estadual de Esporte entre 2015 e 2016. Além disso, atuou como deputado federal de 2015 até 2018. Após 18 anos, deixou o partido MDB e se filiou ao Solidariedade em abril deste ano. Atualmente, é pré-candidato a deputado estadual.

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Além disso, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores de cerca de R$ 22 milhões. A nova fase da operação iniciou após listas encontradas com o contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos a agentes políticos do Estado do Rio.

As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

A reportagem tenta contato com as defesas dos acusados, mas ainda não obteve respostas. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Operação Unha e Carne

A primeira fase da operação ocorreu em dezembro de 2025, e teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativo do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele foi preso por vazamento de informações sigilosas de uma investigação que prendeu o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, por negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Neste período, Bacellar foi solto.

Ainda em dezembro, a segunda fase da ação mirou o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), também em decorrência de investigações sobre o vazamento de informações da prisão de TH Joias. Júdice Neto era o relator do processo do ex-deputado estadual.

Bacellar – que foi cassado – voltou a ser detido na terceira operação. Já na fase seguinte, os agentes prenderam o deputado estadual Thiago Rangel (Avante). A ação investigou fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços da Secretaria de Educação do Estado do Rio (Seeduc). Segundo a PF, o parlamentar teria oferecido cargos na Seeduc ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”.

Saiba mais

Patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, Adilsinho foi detido em fevereiro deste ano, após uma operação da Polícia Federal e da Polícia Civil em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Ele está na Penitenciária Federal de Brasília, no Distrito Federal.

O bicheiro era considerado um dos criminosos mais procurados do estado, inclusive, o principal investigado da Operação Libertatis II, deflagrada em março de 2025, e estava foragido. Contra o contraventor havia pelo menos quatro mandados de prisão em aberto.

Na Justiça Federal, é apontado como chefe da máfia dos cigarros ilegais no estado. Já na Justiça do Rio, também responde como mandante da execução de Marquinhos Catiri, além de ser acusado de ordenar os assassinatos de Fábio Alamar Leite e Fabrício Alves Martins de Oliveira.

De acordo com as investigações da época, Adilsinho integra a cúpula do jogo do bicho no Rio e é considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado. A FICCO/RJ aponta que ele atuava em uma organização criminosa armada e com atuação transnacional, especializada no comércio ilegal de cigarros, com domínio territorial e imposição de violência e intimidação.

Segundo a Polícia Federal, a trajetória criminosa do bicheiro começou há cerca de duas décadas, quando fabricava e desenvolvia softwares para máquinas de videobingo adulteradas, conhecidas como “draculinhas”. Ao longo dos anos, ele ascendeu dentro da estrutura da contravenção até ocupar posição de liderança no submundo do crime organizado fluminense.

O Dia

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