Deputada mais votada do Rio sugere demitir quem apoiou Lula

Índia Armelau, deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro, sugeriu que empresários verifiquem as redes sociais de funcionários e considerem demitir aqueles que apoiaram Lula nas eleições. A declaração foi publicada após a derrota de Flávio Bolsonaro

© Reprodução- Facebook

A deputada estadual Índia Armelau (PL), a mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2026, sugeriu que empresários verifiquem as redes sociais de seus funcionários e considerem a demissão daqueles que manifestaram apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração foi publicada nos Stories do Instagram na segunda-feira (26), um dia após Lula derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.

Na publicação, a parlamentar aconselhou os donos de empresas a investigar a preferência política dos trabalhadores.

“Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’”, escreveu Índia Armelau.

Em seguida, a deputada sugeriu que os empresários não mantivessem esses profissionais em seus quadros de funcionários.

“Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, afirmou.

O gesto de fazer a letra “L” com a mão foi utilizado durante a campanha presidencial por eleitores e apoiadores de Lula.

Ao associar o apoio ao presidente a uma suposta rejeição aos empresários, a parlamentar sugeriu que a posição política dos empregados fosse considerada na decisão sobre sua permanência no trabalho.

Segundo o portal Boletim RJ, a publicação foi apagada após a repercussão.

Quem é Índia Armelau, deputada mais votada do Rio?

Índia Armelau foi reeleita para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) com 248.504 votos, tornando-se a deputada estadual mais votada do estado em 2026.

Nascida em Manaus, no Amazonas, ela está em seu segundo mandato como parlamentar estadual.

Em 2022, quando conquistou sua primeira eleição para a Alerj, recebeu 57.582 votos.

Filiada ao Partido Liberal (PL), a deputada é uma das representantes do bolsonarismo na política fluminense.

Durante a campanha presidencial de 2026, participou de mobilizações em apoio a Flávio Bolsonaro e utilizou suas redes sociais para divulgar conteúdos favoráveis ao senador.

Com aproximadamente 914 mil seguidores no Instagram, Índia também costuma publicar manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e posicionamentos relacionados a pautas conservadoras.

Em 2024, a parlamentar foi candidata a vice-prefeita do Rio de Janeiro na chapa encabeçada por Alexandre Ramagem (PL).

Após a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno, ela também manifestou apoio à iniciativa do senador de questionar o resultado das urnas.

Empresa pode demitir funcionário por apoiar Lula?

A sugestão da deputada levanta questionamentos sobre discriminação política nas relações de trabalho.

No Brasil, a liberdade de pensamento e de manifestação política é protegida pela Constituição Federal. A legislação também estabelece mecanismos de proteção contra práticas discriminatórias no emprego.

A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias que restrinjam o acesso ao trabalho ou a manutenção da relação de emprego.

A aplicação da legislação a uma eventual demissão motivada por preferência política depende das circunstâncias e das provas de cada caso.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) também considera que ameaças, constrangimentos e perseguições relacionadas às convicções políticas dos trabalhadores podem caracterizar assédio eleitoral.

De acordo com o órgão, a prática pode ocorrer dentro ou fora do ambiente físico de trabalho, inclusive em redes sociais e aplicativos de mensagens, quando estiver relacionada à relação profissional.

Entre os exemplos identificados pelo MPT estão ameaças de demissão, tratamento discriminatório e perseguição de funcionários que apoiam candidatos diferentes daqueles defendidos pelos empregadores.

Ministério Público do Trabalho alerta sobre ameaças de demissão

Durante o período eleitoral, o Ministério Público do Trabalho reforçou que a preferência política dos trabalhadores não pode ser utilizada como motivo para ameaças ou retaliações profissionais.

Em setembro, a procuradora do Trabalho Geny Helena Fernandes Barroso Marques explicou que o problema surge quando uma relação de poder é utilizada para interferir na liberdade política de um funcionário.

“A conversa política, por si só, não é proibida. Estamos numa democracia. O problema surge quando a posição de poder de um empregador ou chefe é usada para interferir na liberdade de voto ou de manifestação dos trabalhadores”, afirmou.

O órgão também esclarece que a proteção se estende às manifestações políticas feitas fora do expediente, desde que a situação envolva pressão ou discriminação relacionada ao trabalho.

Em comunicado divulgado durante a campanha eleitoral de 2026, o Ministério Público do Trabalho da Paraíba também alertou que empregados e servidores públicos não podem sofrer ameaças de demissão, exoneração ou perda de benefícios por suas escolhas políticas.

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