Empresários de Salvador presos por esquema de fraude em importações no Aeroporto de Fortaleza

Auditor-fiscal aposentado da Receita Federal na capital cearense também foi preso durante a operação

Dois empresários foram presos durante a Operação Snooker 2 Crédito: Reprodução

Os dois empresários que foram presos durante a Operação Snooker 2, nesta terça-feira (25), foram identificados como Hugo Mendonça Andrade Santos e Rodolfo Sérgio Martins Maia Filho.

A ação investiga um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação no Aeroporto Internacional de Fortaleza.

Um auditor-fiscal aposentado da Receita Federal na capital cearense também foi preso. Ao todo, a operação cumpre três mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão.

As medidas são realizadas em Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará, e em Salvador, na Bahia. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro de imóveis e o bloqueio de veículos.

Segundo a Receita Federal, empresas ligadas ao grupo movimentaram mais de R$ 27 milhões. As investigações também apontaram a aquisição de aproximadamente R$ 31,8 milhões em criptoativos, quantia considerada incompatível com as receitas declaradas.

O auditor-fiscal é apontado como chefe da organização criminosa e suspeito de receber cerca de R$ 6,8 milhões em propina. Conforme a investigação, ele fornecia informações e orientações sigilosas sobre comércio exterior para favorecer empresas importadoras e despachantes aduaneiros.

As apurações identificaram dois mecanismos de fraude. No primeiro, uma empresa administrada por um empresário cearense importava joias de prata, mas declarava as mercadorias como semijoias ou bijuterias de metal comum, reduzindo o valor considerado para a tributação.

O segundo esquema envolvia um casal de empresários chineses que comandava outra importadora. Segundo o Ministério Público Federal, a empresa declarava valores inferiores aos reais para diminuir o pagamento de impostos e contava com a atuação do auditor para driblar a fiscalização aduaneira. A propina paga nesse esquema é estimada em pelo menos R$ 2,5 milhões.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, a organização era estruturada em quatro núcleos: público, empresarial, financeiro e auxiliar. Os integrantes teriam funções distintas na execução das fraudes, no pagamento de vantagens indevidas e na movimentação e ocultação dos recursos.

A atual etapa da investigação surgiu a partir de novas provas obtidas após a Operação Snooker, deflagrada em setembro de 2025. Segundo a Polícia Federal, os elementos reunidos indicaram a necessidade de novas medidas para interromper a suposta continuidade das atividades ilícitas, preservar a investigação e aprofundar a apuração sobre outros envolvidos.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação.

Correio24horas

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