Ex-funcionário diz que dona de grupo de rope jump mandou apagar vídeo após morte de jovem atirada sem cordas

Polícia investiga possível tentativa de ocultação de provas após acidente que matou Maria Eduarda em Limeira

Eveliyne dos Santos Gonçalves foi indiciada Crédito: Reprodução

Um ex-funcionário da empresa Entre Cordas afirmou que uma das organizadoras do salto de rope jump em que morreu Maria Eduarda Rodrigues de Freitas pediu que fosse apagado o vídeo gravado durante a atividade. O relato foi exibido pelo Fantástico, da TV Globo, poucos dias após a Polícia Civil indiciar Eveliyne dos Santos Gonçalves pelo caso.

Segundo Gustavo Lozzi, a ordem foi dada logo após o acidente ocorrido em 13 de junho, na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP). “Gustavinho, traz essa câmera, a gente precisa apagar o vídeo”. Ele também declarou que não viu ninguém retirar a câmera que estava presa ao braço da vítima. “Não vi ninguém tirando a câmera (das mãos da vítima)”.

A câmera, utilizada para registrar a experiência do salto, nunca foi encontrada. De acordo com a investigação, o equipamento é considerado peça importante para esclarecer a dinâmica do acidente. Funcionários da empresa negaram ter retirado ou escondido o aparelho.

O inquérito também aponta que testemunhas ouviram ordens para recuperar a câmera e apagar as imagens. Para a polícia, o desaparecimento do equipamento, aliado à desativação de um perfil relacionado à atividade em uma rede social, pode indicar uma tentativa de ocultar provas. À TV Globo, o advogado de Eveliyne afirmou discordar do indiciamento e disse que as teses da defesa serão apresentadas no momento oportuno.

Outro acidente

As investigações também revelaram que outro acidente havia ocorrido no mesmo local cerca de três meses antes da morte de Maria Eduarda. Um menino de 9 anos ficou ferido após uma falha no sistema de debreagem, responsável por controlar a liberação da corda.

Gustavo Lozzi contou que participou daquele salto e percebeu o acidente apenas depois de ouvir pessoas gritando o nome da criança. “O garoto já foi correndo e eu já fui correndo atrás. Ele pulou, e eu pulei dando um salto mortal logo atrás. Eu comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele. Quando eu olhei, já estava no chão.”

O pai do menino, que também trabalhava na empresa na época, prestou depoimento à polícia e afirmou que o filho bateu no solo após balançar apenas uma vez. “Ele (meu filho) fez o salto, balançou uma vez, depois ele não voltou. Ele raspou no solo, ralou bastante o joelho. Quando eu cheguei, ele falou: ‘não, pai, o tio me soltou rápido demais’.”

Para a delegada Andreia Levy, a empresa deixou de adotar medidas para reforçar a segurança após o primeiro acidente. “Após um fato desses, não foram tomadas outras medidas para melhorar. Então, na minha percepção, assumiram o risco do resultado”, declarou.

Maria Eduarda morreu após cair de aproximadamente 40 metros de altura durante a atividade. Imagens mostram que ela foi erguida por funcionários e lançada da ponte sem estar conectada ao equipamento de segurança. Poucos segundos depois, pessoas que acompanhavam o salto passaram a gritar ao perceber a ausência da corda.

O caso foi registrado como homicídio. Além de Eveliyne dos Santos Gonçalves, a Polícia Civil também indiciou os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, que permanecem presos. Já João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins, presos anteriormente durante a investigação, não foram indiciados.

Correio24horas

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