Liquidação do Will Bank pode gerar ressarcimento de até R$ 50 bilhões a clientes

Banco Master Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

A decretação de liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital ligado ao grupo Master, anunciada pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (21), pode gerar um impacto bilionário no sistema financeiro e resultar em ressarcimentos que podem chegar a R$ 50 bilhões a clientes em todo o país, segundo informações publicadas pelo jornal O Globo.

O montante estimado está relacionado ao número de correntistas da instituição, que soma cerca de cinco milhões de pessoas, todas amparadas pelo FGC — mecanismo mantido pelos próprios bancos para proteger clientes em casos de quebra ou intervenção. A inserção no sistema financeiro e entre os brasileiros foi tão grande que o banco reuniu diversos famosos em propaganda para o público. Veja quem já foi contratado abaixo: 

O ressarcimento deve alcançar correntistas e investidores que mantinham depósitos, aplicações e saldos em contas no Will Bank, dentro do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), atualmente fixado em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, incluindo contas-correntes, CDBs, RDBs e outros produtos garantidos pelo fundo.

Apesar de ser considerado de pequeno porte no sistema financeiro, o Will Bank tinha atuação estratégica por atender principalmente consumidores das classes C, D e E, muitos deles sem histórico bancário formal. A instituição passou a operar como Banco Master Múltiplo após ser adquirida, em 2024, pelo empresário Daniel Vorcaro.

Segundo o Banco Central, a decisão de liquidar o Will ocorreu por causa do agravamento da situação financeira e da incapacidade de a empresa honrar compromissos, em razão da relação de dependência com o Banco Master, que já havia sido liquidado em novembro do ano passado.

Na ocasião da intervenção no Banco Master, o Will Bank havia sido mantido em funcionamento na expectativa de uma venda que reduzisse os prejuízos ao sistema, mas a negociação não avançou dentro do prazo máximo de 120 dias estipulado pelo BC. Com o fracasso da operação, a autoridade monetária decidiu estender a liquidação também ao banco digital.

Antes mesmo do anúncio oficial, a Mastercard suspendeu o processamento de transações com cartões do Will Bank, após registros de operações que não teriam sido liquidadas pela instituição. A bandeira também acionou garantias vinculadas às dívidas do banco e passou a deter participações relevantes em empresas como a Westwing e no Banco de Brasília (BRB).

Criado em 2017 e incorporado ao grupo Master em 2024, o Will Bank fechou o primeiro semestre deste ano com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões, conforme dados do próprio Banco Central. Em setembro, a instituição ainda mantinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo.

Correio24horas

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