Ministério Público investiga tremores de terra em área do projeto da ponte Salvador-Itaparica

Foto ilustrativa

Moradores da Ilha de Itaparica enviaram uma representação ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) solicitando adoção de medidas preventivas e investigação sobre abalos sísmicos registrados na área do projeto da ponte Salvador-Itaparica. A denúncia foi anexada em um procedimento administrativo em curso pelo MP, que apura impactos ambientais e urbanísticos do empreendimento. Ao CORREIO, o Ministério Público informou que, até o momento, não identificou risco sísmico iminente na área em que se planeja construir a ponte.

A representação menciona tremores registrados entre junho e julho do ano passado na região. De acordo com o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN), foram identificados eventos de baixa magnitude, variando entre 1.7 e 3.0 mR. O maior deles, de 3.0 mR, ocorreu em 3 de junho, a cerca de oito quilômetros da costa de Vera Cruz. A classificação dos fenômenos é determinada pela magnitude, utilizando a Escala Richter (mR) como unidade de medida.

Moradores perceberam vibrações e relataram batidas em portas de suas residências. Segundo o coletivo Ativista, formado pela população local, os habitantes temem que os abalos sísmicos causem desastres caso o projeto da ponte avance. A Ilha de Itaparica é considera a maior ilha marítima do Brasil, sendo dividida entre os municípios de Itaparica e de Vera Cruz.

Diante dos registros enviados por moradores, a 5ª Promotora de Justiça de Meio Ambiente e Habitação e Urbanismo do MP-BA solicitou ao LabSis/UFRN o envio do boletim técnico completo e esclarecimentos sobre o alcance e o potencial risco dos eventos sísmicos na área prevista para a implantação da ponte. O CORREIO teve acesso ao despacho enviado ao laboratório em agosto do ano passado. Nele, o Ministério Público alerta para o possível risco de geológico na região da Baía de Todos-os-Santos.

“Segundo as informações apresentadas, a região onde será construída a ponte apresentaria padrão de atividade sísmica crescente e estaria localizada sobre falhas geológicas ativas, circunstâncias que tornariam a construção de obra de grande porte potencialmente arriscada do ponto de vista estrutural”, diz o despacho.

Embora classificados como de baixa magnitude, os tremores passaram a integrar oficialmente o escopo de acompanhamento do Ministério Público, que mantém a apuração aberta enquanto o processo ambiental segue em análise. A expectativa é que as obras da ponte tenham início em junho deste ano. O empreendimento é prometido por governos petistas desde, pelo menos, 2009.

“Foi concluído que, com base nas informações técnicas até o momento disponibilizadas, não há qualquer indicativo de ocorrência de perigo sísmico iminente na área em que se pretende implantar o empreendimento. O caso continua sob apuração e acompanhamento institucional, aguardando-se a finalização da análise da Licença Ambiental de Instalação por parte do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema)”, diz o órgão.

 Correio da Bahia

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