Nazaré festeja a literatura para contar boas histórias

Única entre as quatro “Nazarés” do mundo, cidade do Recôncavo Baiano reúne descendente da família real e tradição em feira literária

Nazaré das Farinhas, uma das joias do Recôncavo, abre as portas para a literatura - Foto: Divulgação | Prefeitura de Nazaré das Farinhas

O mundo tem quatro cidades chamadas Nazaré. A original, em Israel, por onde Jesus andou, hoje capital do Distrito Norte lá; a de Portugal, famosa pelas ondas gigantes; a Nazaré Paulista, que se autointitula Cidade Presépio; e a nossa Nazaré das Farinhas.

Curioso é que passado e presente tornam nossa Nazaré única. É “das Farinhas” porque na luta da Independência da Bahia fornecia farinha de mandioca para as tropas que combatiam os portugueses nas lutas pela pátria. A origem honrosa recebe as pompas atuais: lá, a produção de farinha da boa é tradição.

É para juntar os cacos de tudo isso que a pedagoga Ana Lúcia Santos Soares, simplesmente Ana Lúcia, corre atrás. Ela, que já é fundadora do Museu de Nazaré, como negra faz caruru para celebrar a tradição, e realizará a Feira Literária Internacional de Nazaré (Flina), de 11 a 14 próximos.

DOM ALEXANDRE – E quem vai participar da festa este ano é dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho, descendente de Dom Pedro II, herdeiro do trono da família real portuguesa. Diz Ana Lúcia, que é casada e tem um filho, que ele é retrato de um tempo e hoje um arauto da cultura.

– Eu sou negra, e a história dos negros não é bonita, é sofrida. Dom Alexandre é fruto de um tempo, ainda bem que agora do bem.

Diz Ana que Nazaré tem uma história imbricada com o passado, incluso a do próprio Cristo. Lá, na Semana Santa, impera a Feira dos Caxixis, vitaminada pelo artesanato de barro de Maragogipinho, na vizinha Aratuípe, e também uma gigantesca imagem do Cristo com a Via Crucis.

A Flina conta com apoio do prefeito Carlos Benon Cardoso, o Benon (PSD), via secretarias de Educação e de Cultura, da Câmara de Vereadores.

Adolfo de olho na vaga de Chico Neto no TCM

O deputado Adolfo Menezes (PSD) confirma que foi convidado a ocupar uma secretaria de Estado, forma de preservar o mandato do deputado Marcone Amaral (PSD), mas recusou. Ele já anunciou que não mais será candidato este ano, após ter sido duas vezes vereador em Campo Formoso, prefeito e estar no quarto mandato de deputado estadual.

– Eu vou apoiar a candidatura da minha esposa, Denise, a deputada estadual. Vou entrar de corpo e alma nisso, e justo por isso eu recusei a secretaria. Com essa agenda, eu não seria um bom secretário.

POLÍTICA COM VATAPÁ

Dr. em cima

Médico entrar em disputas eleitorais em cidades do interior e ganhar, é corriqueiro. E compreensível. Cuida da saúde das pessoas, tem contato direto com o eleitorado, o prestígio pessoal sobe e resulta que toda cidade tem um histórico desses no ramo. E, nesse embalo, vem a história do ‘Dr. em cima’.

Luiz Santana conta essa no médico sergipano Oswaldo Moraes, que a Jaguaquara na década de 1980, se candidatou a prefeito contra lideranças tradicionais, como Renê Dubois e Ítalo Amaral. Ganhou apoios na zona rural, o mais entusiasta era Raimundo de Otília, que pregava aos quatro ventos: — Dr. Oswaldo é o homem que faltava em Jaguaquara!

E, lá um dia, alguém perguntou: — Por que você defende tanto Dr. Oswaldo, Raimundo?

Gratidão, moço. Toda vez que minha mãe adoece, Dr. Oswaldo está em cima. Mãe teve uma gripe, Dr. Oswaldo em cima, mãe teve uma dor, Dr. Oswaldo em cima. Não é o homem que faltava aqui?

Jornal Atarde

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