Nome cotado para desembarcar na Odebrecht é alvo de operação da PF que mira rombo de R$ 85 mi em emendas

A Polícia Federal fez buscas em endereços ligados a Marcelo Moreira

Reprodução

A Polícia Federal (PF) bateu à porta de nomes graúdos da política e do setor público na manhã desta quinta-feira (17), durante a quinta fase da Operação Overclean. Um dos principais alvos é Marcelo Moreira, ex-presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba), ligado à Odebrecht e ao grupo político do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA).

A operação é deflagrada enquanto Marcelo Moreira aguarda a liberação para assumir um cargo na Odebrecht. Como revelou o colunista Tácio Lorran, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República impôs uma quarentena de seis meses ao ex-presidente da Codevasf, ao considerar que a proposta da empreiteira representava possível conflito de interesses.

Marcelo foi diretor-presidente da Codevasf de 28 de agosto de 2019 a 17 de junho de 2025. Agora, o ex-dirigente vai ter que esperar até o mês de dezembro para o exercer o cargo de diretor de contratos da Odebrecht.

A operação, deflagrada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, investiga fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e o desvio de emendas parlamentares no município de Campo Formoso, no interior da Bahia.

Com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Salvador, Campo Formoso, Senhor do Bonfim, Mata de São João, Petrolina (PE) e Brasília (DF). Também foi determinado o afastamento cautelar de um servidor público e o bloqueio de R$ 85,7 milhões das contas de investigados.

Marcelo Moreira: da Codevasf à Odebrecht, agora sob suspeita
A Polícia Federal fez buscas em endereços ligados a Marcelo Moreira, incluindo um imóvel de seu pai, em Salvador, onde foi encontrada uma arma de fogo, o que levou à prisão em flagrante do pai do ex-dirigente.

Moreira comandou a Codevasf entre 2019 e junho de 2025, quando saiu desgastado por investigações da PF e denúncias de assédio. Antes de migrar para a Odebrecht como diretor de contratos, foi obrigado a cumprir quarentena imposta pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República, mantendo o salário de quase R$ 37 mil por mês mesmo fora da estatal.

Agora, o nome do ex-presidente volta ao centro das atenções, desta vez, envolvido em um suposto esquema bilionário de corrupção envolvendo emendas parlamentares.

Elmar Nascimento e o epicentro do escândalo
Embora não tenha sido alvo direto nesta fase, o deputado Elmar Nascimento (União-BA) é considerado peça-chave na investigação. Estão na mira da PF seu irmão, o prefeito de Campo Formoso, Elmo Nascimento, alvo de busca e apreensão; o ex-assessor Amaury Nascimento; e o primo Francisco Nascimento, ex-vereador que jogou dinheiro pela janela durante uma ação da PF no ano passado.

Segundo a investigação, mais de R$ 1,4 bilhão em contratos suspeitos já foram mapeados, envolvendo o uso de empresas de fachada para simular serviços e drenar recursos públicos.

Licitações fraudulentas e contratos sob medida
Campo Formoso foi identificado como o epicentro do esquema. A prefeitura, sob gestão da família Nascimento, teria manipulado processos licitatórios e favorecido empresas investigadas em troca de propina. A construtora Alpha Pavimentações aparece como uma das principais beneficiadas com contratos milionários.

Mesmo com os indícios, todos os citados negam qualquer irregularidade.

Bnews

google news