Perícia aponta uso de IA em plano de governo de ACM Neto.

Relatório aponta uso de IA em plano de ACM Neto; defesa admite tecnologia, mas nega participação na criação das propostas.

Foto: Jorge Jesus/bahia.ba

Uma perícia feita pela especialista em propriedade intelectual Caroline Nunes diz que o plano de governo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) para a disputa pelo Governo da Bahia apresenta 56,7% de probabilidade de origem sintética. As informações foram divulgadas pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, no jornal Folha de São Paulo.

De acordo com o parecer, o resultado sugere que o documento pode ter sido parcialmente redigido ou reescrito com auxílio de inteligência artificial (IA). O estudo analisou integralmente o programa de governo e identificou o que classificou como uma “dispersão incompatível com autoria única e homogênea”. Os trechos avaliados variaram entre 0% e 91% de probabilidade de origem sintética, sugerindo uma combinação entre escrita humana e recursos de IA.

Ainda segundo o relatório, dos 50 blocos examinados, 12 registraram mais de 80% de probabilidade de origem sintética. Os maiores índices foram encontrados nos capítulos dedicados à segurança pública, desenvolvimento econômico, educação, turismo, cultura, economia criativa e transformação digital. 

Já os capítulos relacionados à infraestrutura e ao sistema socioeducativo apresentaram os menores indicadores, apontando maior predominância de intervenção humana na elaboração do conteúdo.

Padrões de linguagem

A perícia também identificou repetição frequente de estruturas argumentativas ao longo do texto. Entre os exemplos citados estão 45 ocorrências do modelo “Não é X. É Y.”, além de 35 registros de “não X — Y” e 22 de “não X, mas Y”.

O relatório destaca ainda o uso recorrente de termos como “governança”, “monitoramento”, “território”, “integrado”, “em tempo real” e “Novo Governo” em praticamente todos os capítulos analisados.

Para a especialista, esses padrões podem indicar padronização textual compatível com processos de reescrita automatizada. No entanto, o próprio documento ressalva que o método empregado não permite diferenciar, de forma conclusiva, se a uniformização decorre de coordenação editorial humana ou da utilização de ferramentas de inteligência artificial.

Defesa admite uso de IA para revisão

Procurada, a assessoria de ACM Neto confirmou o uso de inteligência artificial durante a elaboração do plano, mas negou que a ferramenta tenha sido utilizada para criar propostas ou formular o conteúdo programático.

Todas as propostas e ideias de gestão contidas no plano de governo foram elaboradas sem o uso de inteligência artificial”, afirmou a equipe do ex-prefeito. Segundo a assessoria, a tecnologia foi empregada apenas para revisão, correção ortográfica e checagem do texto.

A defesa também destacou que o próprio relatório reconhece limitações na metodologia utilizada e que os resultados não podem ser considerados prova conclusiva de autoria.

Bahia.Ba

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