EUA e Irã intensificam ataques na região do estreito de Ormuz

Novos bombardeios americanos e ataques iranianos contra aliados de Washington ampliam a tensão no Oriente Médio. Paquistão pede a retomada das negociações, enquanto o fechamento do estreito de Ormuz afeta o transporte mundial de petróleo e gás

© Lusa

Os ataques entre Estados Unidos e Irã continuam mais de uma semana após a retomada dos confrontos na região do estreito de Ormuz. Nesta quinta-feira, o Paquistão voltou a pedir o fim da escalada militar e a retomada das negociações.

Nas últimas 24 horas, as forças americanas realizaram novas ondas de bombardeios contra o território iraniano. Entre os alvos estaria a ilha de Qeshm, localizada no estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas pela imprensa estatal do Irã.

Teerã respondeu com ataques contra países da região aliados de Washington, repetindo a dinâmica observada nos últimos dias.

As ameaças também continuam dos dois lados. Embora as instalações de petróleo e gás do Golfo ainda não tenham sido atingidas, o governo iraniano advertiu que poderá destruir infraestruturas no Oriente Médio caso seus próprios complexos sejam atacados.

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou ordenar bombardeios contra pontes e usinas elétricas do Irã se o governo iraniano não aceitar voltar à mesa de negociações.

Os confrontos foram retomados no dia 7, após ataques contra embarcações no Golfo atribuídos ao Irã. Desde então, os bombardeios alcançaram o maior nível de intensidade desde o cessar-fogo firmado em abril, enfraquecendo as tentativas diplomáticas de encontrar uma solução duradoura para a crise.

O conflito começou em 28 de fevereiro, depois de ataques realizados por Israel e Estados Unidos. Desde então, milhares de pessoas morreram, principalmente no Irã e no Líbano, enquanto os efeitos econômicos da guerra continuam sendo sentidos em diferentes partes do mundo.

O Paquistão, que atua como mediador, pediu que Washington e Teerã “ponham fim à violência e retomem as negociações”. O apelo se baseia em um memorando de entendimento assinado em meados de junho, mas que posteriormente foi considerado sem validade.

O governo paquistanês também defendeu a normalização do tráfego no estreito de Ormuz, fechado novamente pelo Irã no último fim de semana. Em resposta, os Estados Unidos restabeleceram, na noite de terça-feira, o bloqueio aos portos iranianos.

Antes do início da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito transportados por mar no mundo passavam pelo estreito de Ormuz. O movimento de embarcações, porém, caiu de forma expressiva. Na terça-feira, apenas 13 navios comerciais foram registrados na região, segundo a empresa de monitoramento marítimo Kpler.

As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram ter atacado instalações militares usadas para ameaçar navios que circulam pelo estreito.

O Irã, no entanto, acusou Washington de atingir também estruturas civis, como o aeroporto de Semnan, a cerca de 250 quilômetros de Teerã.

Um hospital na cidade de Ahvaz precisou ser evacuado após bombardeios americanos nas proximidades. Autoridades iranianas classificaram a ação como um “ataque bárbaro”.

A imprensa estatal do país também informou que explosões foram registradas em cidades costeiras como Bandar Abbas e Chabahar, além da ilha de Qeshm.

Em Teerã, que ainda não foi atingida diretamente pelos ataques, a rotina segue aparentemente normal. Durante a noite, porém, sistemas de defesa antiaérea foram acionados nos arredores da capital.

Desde a retomada das hostilidades, mais de 30 civis morreram, segundo o balanço mais recente divulgado pelo governo iraniano. Sete militares também foram mortos.

O Irã respondeu com ataques de drones contra Bahrein, Kuwait e Jordânia.

A violência também chegou ao Iraque. O primeiro-ministro do país condenou um ataque com drones ocorrido nas proximidades do consulado dos Estados Unidos em Erbil, na região autônoma do Curdistão. A ação foi atribuída a grupos apoiados pelo governo iraniano e foi o primeiro episódio desse tipo desde o cessar-fogo de abril.

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