MC Poze do Rodo reúne multidão de fãs ao deixar presídio em Bangu

Pouco antes da saída do artista, houve uma confusão entre policiais militares e um grupo que aguardava na entrada da penitenciária, incluindo o cantor Oruam

Vivi Noronha reúne fãs a espera de Poze na saída de presídio em Bangu Reginaldo Pimenta/Agência O DIA

Rio – O cantor Marlon Brandon Coelho Couto, o MC Poze do Rodo, deixou a cadeia na tarde desta terça-feira (3) em clima de festa, com direito a trio elétrico na porta do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. No local, o funkeiro foi cercado por uma multidão de fãs que o esperavam desde o início da manhã.

Ao sair, por volta das 14h50, Poze entrou em um carro e apareceu no teto solar do veículo abraçado com a mulher Vivi Noronha. Ele saudou os fãs e balançou a camisa em comemoração. Amigos músicos, como MC Cabelinho, Borges, Chefin e Oruam, também estiveram presentes.

Vivi Noronha reúne fãs a espera de Poze na saída de presídio em BanguReginaldo Pimenta/Agência O DIA

Pouco antes da saída, Mauro Davi Nepumuceno, o Oruam, chegou ao local de moto acompanhado de outros motociclistas. Na sequência, ele subiu e correu em cima dos ônibus que passavam em frente à unidade enquanto era ovacionado pelo público. Por volta das 14h, houve uma confusão na entrada da penitenciária envolvendo militares e o grupo que aguardava pelo MC, incluindo Oruam. Alguns dos presentes empurraram policiais, que utilizaram cassetetes, balas de borracha e gás de pimenta. Agentes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) foram acionados.

Ainda nesta manhã, fãs do Poze relataram que vieram de longe para prestigiar o artista. Dentre eles, um grupo saiu de Recife. Com caixa de som, música alta, cartazes e blusas personalizadas com a frase: “Mc não é bandido”, o público comemorou a liberdade de Poze, que estava preso desde a última quinta (29) por apologia ao crime e associação criminosa.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) concedeu o habeas corpus ao funkeiro na segunda (2). Na decisão, o desembargador Peterson Barroso Simão, da 1ª Vara Criminal da Região de Jacarepaguá, alegou que a prisão temporária do MC é “excessiva para o prosseguimento das investigações” e que as provas coletadas são suficiente para a continuidade da apuração do caso. O magistrado acrescentou que não há, até o momento, comprovação de Poze tinha “armamento, drogas ou algo ilícito em seu poder”.

O desembargador também destacou que a prisão temporária do artista “não é exatamente a solução almejada pela população” e que é preciso “prender os chefes, aqueles que pegam em armas e negociam drogas”. Ele ainda questiona a ação dos policiais que resultou na prisão do MC, a considerando “desproporcional, com ampla exposição midiática”.

Apesar da soltura, uma série de medidas cautelares deverão ser seguidas por Poze. São elas: comparecer mensalmente em juízo, até o dia 10 de cada mês, para informar e justificar suas atividades; não deixar o Rio; informar telefone para contato imediato caso seja necessário; não ter contato com outros investigados no inquérito ou com pessoas ligadas ao CV; entregar o passaporte.

Músicas fazem apologia ao crime, diz Polícia Civil

De acordo com as investigações, o cantor realiza shows exclusivamente em áreas dominadas pelo CV, com a presença ostensiva de traficantes armados com armas de grosso calibre, como fuzis, garantindo a “segurança” do artista e do evento. Além disso, a investigação identificou que o repertório das músicas entoadas por ele faz clara apologia ao tráfico de drogas, ao uso ilegal de armas de fogo e incita confrontos armados entre facções rivais.

Ainda de acordo com a DRE, esses eventos são estrategicamente utilizados pela facção para aumentar seus lucros com a venda de drogas, revertendo os recursos para a aquisição de mais drogas, armas de fogo e outros equipamentos necessários à prática de crimes.

Em coletiva de imprensa na última semana, o secretário de Estado de Polícia Civil, Felipe Curi, reforçou que as músicas de Poze, são “instrumentos de propaganda para a facção Comando Vermelho”. Na ocasião, o funkeiro alegou estar sofrendo perseguição.

Operação investiga Vivi Noronha

Ainda na manhã desta terça-feira (3), agentes da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do casal no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, durante operação que investiga Vivi Noronha por lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho.

Segundo o apurado, o Comando Vermelho é responsável pela lavagem de mais de R$ 250 milhões. Investigações revelaram ainda que Vivi Noronha e sua empresa figuram como beneficiárias diretas de recursos da facção, recebidos por meio de pessoas interpostas (“laranjas”) com o objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro. As análises financeiras apontam que valores provenientes do tráfico de drogas e de operadores da lavagem de capitais do CV foram canalizados para contas bancárias ligadas à mulher, que passou a ser um dos focos centrais do inquérito.

A posição dela, segundo os agentes, na estrutura criminosa é simbólica, pois representa o elo entre o tráfico e o universo do consumo digital, “conferindo aparente legitimidade a valores oriundos do crime organizado e ampliando o alcance da narcocultura nas redes sociais.”

O Dia

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