Milton Leite é transferido de cadeia após suspeitas de regalias na prisão; entenda

Ex-vereador deixou a unidade de Mogi das Cruzes nesta terça-feira (20); três delegados, um investigador e um carcereiro foram afastados

Foto: Afonso Braga/Câmara Municipal de SPPor: Metro1 no dia 20 de outubro de 2026 às 12:09

O ex-vereador Milton Leite (União) foi transferido nesta terça-feira (20) da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, após suspeitas de regalias durante a prisão.

Ele está detido desde setembro, investigado por suposta ligação com um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público. As informações são do Metrópoles.

O político deixou a unidade por volta das 9h, mas o destino não foi divulgado. A transferência ocorreu após a Operação Custódia (In)Fiel, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 16 de outubro para apurar possíveis privilégios concedidos a presos.

A investigação começou após uma denúncia anônima apontar que Milton recebia visitas de políticos e amigos fora dos horários permitidos, inclusive à noite e nos fins de semana. Entre os visitantes citados estão Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL). Um carcereiro teve cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil apreendidos.

Policiais afastados

A Polícia Civil afastou três delegados, um investigador e um carcereiro suspeitos de envolvimento nas irregularidades. Em nota enviada ao Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública informou: “A medida foi adotada pela Polícia Civil para garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências, após a tomada dos depoimentos dos cinco servidores, prestados à Corregedoria Geral da corporação neste sábado (17), no âmbito da investigação de suspeitas de favorecimento indevido a presos na Cadeia”,

A defesa de Milton negou qualquer tratamento especial. “Milton não recebe nem recebeu nenhum tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado. Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados, cumprindo as normas do estabelecimento”, diz a nota.

Suspeita de ligação com o PCC

Milton foi preso durante a Operação Vectura Corrupta, que investiga a atuação do PCC em empresas de ônibus. Segundo as autoridades, o grupo teria usado empresas de fachada, fraudes em licitações, apoio político e lavagem de dinheiro para ampliar sua influência no transporte público.

A investigação também aponta que ao menos 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo poderiam estar sob controle da facção. Milton é citado como suposto proprietário da Transwolf. Os investigadores suspeitam ainda de pagamentos de propina, financiamento de campanhas e uso de pessoas como laranjas para esconder os verdadeiros donos das empresas. As acusações ainda são objeto de investigação.

Metro 1

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