UNEB lança turma inédita com pacientes e cuidadores de doença falciforme

A formação, reúne pacientes e cuidadores da doença falciforme para, a partir de suas próprias experiências e saberes adquiridos no tratamento, atuarem em benefício de outros pacientes, cuidadores e equipes de saúde.

Foto: Divulgação

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) iniciou nesta terça-feira (12) a sua primeira turma piloto da Universidade dos Pacientes, programa em parceria com a Université des Patients, da Santé Sorbonne Université (UdP/Sorbonne) de Paris, França.

A formação, inédita no Brasil, reúne pacientes e cuidadores da doença falciforme para, a partir de suas próprias experiências e saberes adquiridos no tratamento, atuarem em benefício de outros pacientes, cuidadores e equipes de saúde.

Dentre as doenças crônicas não transmissíveis, que são as priorizadas pela iniciativa, a doença falciforme foi escolhida para iniciar a formação da Universidade dos Pacientes na UNEB, por conta da sua prevalência no Estado da Bahia, que registra, entre janeiro de 2017 e abril de 2024, 4.361 casos. Em geral, a doença acomete majoritariamente pessoas negras, que são também o maior contingente populacional do Estado.

Coordenadora da Frente Falciforme, Noêmia Neves recebeu com satisfação a oportunidade de formação: “Esse programa vai nos fortalecer. Já que os profissionais precisam acreditar em uma pessoa que é diplomada, agora, eles vão ter de acreditar, porque a gente vai sair daqui diplomado. A gente precisa, na verdade, fazer com que os profissionais de saúde entendam a nossa dor”, destacou a gestora da organização, que reúne pacientes e cuidadores do interior do estado.

As atividades do primeiro ciclo da Universidade dos Pacientes na UNEB serão presenciais e acontecem no Campus I, em Salvador, até esta quinta-feira (14). O segundo ciclo será realizado entre os dias 2 e 4 de setembro, totalizando uma carga de 54 horas.

A formação é coordenada pela professora Lennize Pereira, que atuou na implantação da
Université des Patients em Paris. “A primeira coisa é mudar o paradigma, mudar o olhar para
o doente. Fazer com que a gente compreenda as atividades que eles fazem todos os dias.
Essas ações do sujeito para se manter vivo, para se manter em saúde, não são atividades
reconhecidas pelo pessoal da saúde, nem pela sociedade”, explica Lennize.
Articulação internacional

O acordo de cooperação entre a UNEB e a Universidade de Sorbonne para a oferta da
Universidade dos Pacientes tem duração de cinco anos. A expectativa é que a cada semestre
sejam oferecidas novas turmas do curso de extensão, que irão reunir pacientes e cuidadores
de doenças crônicas não transmissíveis.

Confira: https://agenciadecomunicacao.uneb.br/uneb-lanca-primeira-turma-da-universidade-dos-pacientes/

Tribuna da Bahia

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