Violência contra animais cresce no país e mobiliza protesto no Farol da Barra

A manifestação dos baianos, neste domingo, que reunirá tutores de pets e cidadãos comuns, indignados com a barbarie, reunirá até alguns baianos vindos do interior, começa as 8 da manhã e serve para cobrar justiça e homenagear a memória de Orelha

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

A comoção nacional provocada pela morte do cão comunitário chamado Orelha, em Santa Catarina, chega neste domingo (1), a Salvador com uma manifestação no Farol da Barra.

Dócil e por conta disso, muito querido pela comunidade onde morava, Orelha pagou com a vida sua inocência, se aproximando todo carinhoso dos monstros que o atacaram a pauladas até ficar caído, inerte.

A manifestação dos baianos, neste domingo, que reunirá tutores de pets e cidadãos comuns, indignados com a barbarie, reunirá até alguns baianos vindos do interior, começa as 8 da manhã e serve para cobrar justiça e homenagear a memória de Orelha.

O aumento expressivo dos casos de violência contra animais no Brasil tem gerado indignação e mobilização social. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que, somente em 2025, foram abertos 4.919 processos por maus-tratos, o que representa uma média de 13 denúncias por dia em todo o país. O número é 20% maior que o registrado em 2024 e revela uma escalada preocupante desse tipo de crime.

De acordo com os dados do CNJ, a série histórica revela uma escalada contínua. Em 2020, foram contabilizados 245 novos processos; em 2021, 328; em 2022, o total saltou para 1.764; em 2023, chegou a 2.774; e em 2024, alcançou 4.057. Em apenas quatro anos, o crescimento ultrapassa 1.400%, indicando que a violência contra animais deixou de ser um fenômeno isolado e passou a assumir caráter estrutural.

Na Bahia, o cenário acompanha a tendência nacional. Levantamento da plataforma Escavador indica que o estado acumula 3.877 processos por maus-tratos contra animais entre 2023 e 2026, colocando-se entre os estados com maior número de registros no período. Apenas em janeiro deste ano, o Brasil já contabilizava 601 novos inquéritos, o equivalente a 3,2% de todo o volume registrado ao longo de 2025, o que indica a manutenção de um ritmo elevado de judicialização.

O debate ganhou força nacional após a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em Florianópolis, em Santa Catarina. O animal, que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava e era cuidado por moradores e comerciantes da região, foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata após agressões atribuídas a um grupo de adolescentes. Devido à extensão das lesões, Orelha acabou sendo submetido à eutanásia, o que gerou comoção em todo o país.

O caso passou a simbolizar a fragilidade na aplicação das leis e a sensação de impunidade associada aos crimes de maus-tratos. Embora a legislação brasileira preveja pena de três meses a um ano de detenção, com multa, podendo chegar a cinco anos quando o crime envolve cães ou gatos, ativistas e especialistas apontam que a responsabilização raramente ocorre de forma proporcional à gravidade dos atos.

Manifestação na Barra coloca impunidade no centro do debate

Diante desse cenário, entidades de proteção animal organizam um ato público neste domingo (1º), às 8h, no Farol da Barra, em Salvador. A manifestação pede justiça pela morte de Orelha, mudanças na legislação e maior rigor na aplicação das penas para crimes de maus-tratos.

À frente da mobilização na capital baiana está o Instituto Patruska. Para a fundadora da entidade, Patruska Barreiro, a raiz da violência está diretamente ligada à certeza de que não haverá punição. “A gente vive tentando entender onde a violência começa. Porque, se identificarmos onde nasce essa erva daninha, talvez seja possível cortar o mal pela raiz. Mas, no fundo, a resposta é conhecida. A violência começa na certeza da impunidade”, afirma.

Em Salvador, o ato será pacífico e aberto ao público. Os organizadores orientam que os manifestantes levem cartazes com mensagens de conscientização e reforçam cuidados com o calor e o bem-estar dos animais. A mobilização busca transformar a comoção social em pressão concreta por justiça, prevenção e respeito à vida animal.

Tribuna da Bahia

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