Conselho de Saúde repudia simulações com “bebês reborn” no SUS

Prática de buscar atendimento médico para bonecos gera indignação e é classificada como distorção do sistema público; Conselho alerta para desrespeito aos princípios do SUS e apela por responsabilidade social

Foto: Canva Fotos/Perfil Brasil

O Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA) divulgou uma nota pública expressando profunda preocupação com relatos de pessoas que têm procurado unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) levando bonecos conhecidos como “bebês reborn” para atendimento médico. Segundo o órgão, há casos em que são simuladas situações como vacinação, consultas pediátricas e até pedidos de internação para os bonecos.

Para o CES-BA, essa prática representa um grave desvio do propósito do SUS, além de desrespeitar os princípios fundamentais do sistema: universalidade, equidade e integralidade. “Os recursos já são escassos para garantir a atenção à saúde da população brasileira, e seu uso inadequado compromete ainda mais a capacidade de atendimento a quem realmente necessita”, destaca a nota.

O presidente do Conselho, Marcos Gêmeos, foi enfático ao classificar o comportamento como irresponsável. “Brincar com a estrutura da saúde pública é brincar com a vida. Direcionar recursos, tempo e estrutura de um sistema tão pressionado para atender demandas fictícias, ainda que motivadas por sofrimento psíquico, é desumano, perverso e inaceitável”, afirmou.

O Conselho esclarece que a lógica do SUS não comporta esse tipo de atendimento e reforça que os profissionais de saúde não têm obrigação legal ou ética de acolher demandas não reais no âmbito da saúde física. No entanto, nos casos em que for identificado sofrimento psíquico, os usuários devem ser encaminhados para avaliação especializada em saúde mental, conforme prevê a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

A sobrecarga enfrentada diariamente pelos trabalhadores da saúde é outro ponto levantado pelo CES-BA. Submetê-los a atendimentos que não correspondem a necessidades reais é visto como uma afronta à dedicação e ao esforço desses profissionais.

Diante do cenário, o Conselho faz um apelo à sociedade para que preserve e respeite o SUS como uma conquista coletiva. “O SUS é para cuidar de vidas humanas. Tratá-lo como palco de simulações é um retrocesso que fragiliza o direito à saúde e ameaça a dignidade de todos os brasileiros”, conclui o texto.

Tribuna da Bahia

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