PF detalha como esposa de desembargador que soltou chefe do PCC pagou por mansão

PF aponta pagamentos em espécie em obra de mansão ligada a desembargador que soltou chefe do PCC; CNJ já puniu magistrado com aposentadoria compulsóri

Foto- Arquivo Pessoal

Relatório da Polícia Federal (PF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo Viviane Alves Gomes de Paula, esposa do desembargador Divoncir Schreiner Maran.

O magistrado é investigado por decisão que, em 2020, concedeu liberdade a Gerson Palermo, apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC). O pedido de 208 páginas foi analisado em cerca de 40 minutos pelo magistrado.

Pagamentos em espécie durante obra
Segundo a investigação, Viviane realizou pagamentos em dinheiro vivo durante a construção de uma casa de alto padrão em Campo Grande. O terreno foi adquirido em 2020 e a obra, de acordo com o inquérito, custou mais de R$ 2,1 milhões.

Mensagens interceptadas mostram que os repasses eram feitos diretamente em espécie, muitas vezes em encontros presenciais. Em uma das conversas, ela afirma: “Pra mim fica melhor eu te dar dinheiro todo mês. Esse mês aconteceu de eu te dar picado, porque eu peguei uma parte do dinheiro, depois outra. Saiu tudo picado”.

Tentativa de evitar rastros
A PF identificou indícios de que os pagamentos buscavam evitar registros formais. Há relatos de entregas feitas até dentro de veículos.

Em negociações com fornecedores, a preferência por dinheiro aparece de forma recorrente. Ao tratar da compra de ferragens, por exemplo, Viviane questiona: “Veja pra mim quanto dá pra fazer no dinheiro”. O vendedor reage: “É doido!” e orienta o uso de meios como PIX ou cartão.

Móveis e encontros diretos
O casal também contratou móveis planejados, em serviço orçado em R$ 650 mil. Em mensagem, ela solicita encontro direto para pagamento: “Precisamos marcar para eu acertar com você. Você vem até mim? Estou aqui no TRE. Me avise quando chegar na frente”.

Segundo a PF, a origem dos valores utilizados nas transações não foi identificada.

Punição do magistrado
O desembargador, integrante do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, foi punido com aposentadoria compulsória pelo CNJ em fevereiro deste ano.

A sanção está ligada à decisão que concedeu prisão domiciliar a Palermo, condenado a 126 anos por tráfico de drogas.

Fuga após benefício
Após obter o benefício durante a pandemia de Covid-19, sob alegação de problemas de saúde, Palermo deixou o presídio de segurança máxima, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Ele segue na lista de procurados do Sistema Único de Segurança Pública.

O CNJ apontou que não havia laudo médico que comprovasse a condição de saúde apresentada pela defesa. O caso foi analisado em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Bnews

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