Fim do prejuízo no Pix? Projeto de lei quer obrigar bancos a devolverem dinheiro de vítimas de golpes

Proposta prevê reembolso obrigatório em até cinco dias e divide o prejuízo do golpe entre os bancos

Foto- Divulgação

Se você já perdeu dinheiro em um golpe do Pix, essa realidade pode mudar. O Projeto de Lei 3127/26, apresentado em agosto de 2026 na Câmara dos Deputados, quer acabar com a burocracia do estorno ao propor que as instituições financeiras devolvam o valor integral às vítimas em até cinco dias úteis.

A proposta, que ainda passará por votação, prevê que o reembolso ocorra mesmo se o banco não conseguir recuperar o montante transferido para a conta do criminoso.

Prazo de contestação: a vítima terá até 80 dias após a transação eletrônica para notificar o banco.

Investigações complexas: caso o crime exija uma apuração aprofundada, a instituição financeira terá o limite máximo de 35 dias úteis para concluir a análise.

Recusa de pagamento o banco só poderá negar o estorno se provar juridicamente que o próprio cliente participou do golpe ou agiu com dolo.

Fim da brecha que favorece os golpistas

Atualmente, a segunda versão do Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central (MED 2.0) permite o rastreamento do dinheiro em várias camadas de contas. No entanto, o sistema ainda só devolve a quantia se houver saldo disponível. Como as quadrilhas esvaziam as contas em minutos, a taxa média de recuperação nacional gira em torno de apenas 9%.

A nova proposta pretende corrigir essa brecha mudando a responsabilidade financeira. Caso o dinheiro desapareça, o prejuízo passaria a ser dividido igualmente entre o banco de quem fez a transferência e a instituição que acolheu a conta do golpista.

De acordo com o autor do projeto, deputado André Janones (Rede-MG), a medida traria segurança e previsibilidade:


O que isso muda no mercado de verdade?

Na prática, o projeto de lei tira o prejuízo das costas do cidadão e joga para os bancos. O argumento do deputado é que, se os bancos forem obrigados a pagar metade da conta dos golpes, eles vão se mexer para melhorar a segurança.

Hoje, os criminosos abrem contas falsas (as chamadas contas “laranjas”) com muita facilidade para receber o dinheiro roubado. Se a lei passar, os bancos serão forçados a fiscalizar muito melhor quem abre conta no aplicativo, fechando o cerco contra os golpistas e protegendo quem usa o Pix no dia a dia.

Correio24horas

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