Desembargadora baiana condenada à prisão pela Faroeste deixou o Brasil há mais de um mês

Sandra Inês e o filho, Vasco Rusciolelli, também sentenciado a quase 14 anos de cadeia, saíram do Brasil antes do julgamento; destino provável é Portugal, onde ambos teriam cidadania

Foto- Reprodução

Condenada recentemente a mais de 14 anos de prisão por envolvimento no esquema de venda de sentenças e grilagem de terras desbaratado pela Operação Faroeste, a desembargadora baiana Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo deixou o Brasil há mais de um mês, de acordo com informações obtidas pela coluna junto a uma fonte com acesso livre ao caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A confirmação da saída da magistrada consta em um ofício remetido pela Polícia Federal ao gabinete do relator da Faroeste no STJ, ministro Og Fernandes. 

Tudo isto é fado!
No documento, Fernandes foi alertado ainda que Sandra Inês deixou o país, provavelmente com destino a Portugal.

Ela viajou acompanhada do filho, o advogado Vasco Rusciolelli, apontado como operador de propinas da mãe e também condenado a quase 14 anos de cadeia por envolvimento no maior escândalo de corrupção na história do Judiciário baiano. Embora a desembargadora estivesse sob a iminência de uma condenação, não havia contra ela, a princípio, qualquer medida cautelar que a proibisse de viajar para o exterior a turismo, apenas mudar de domicílio sem aval do STJ.

Cheiro de pizza
Um detalhe, porém, muda tudo: a possibilidade de que Sandra Inês e o filho tenham obtido há anos o direito à cidadania portuguesa. Nesse caso, as leis lusitanas impedem a extradição de cidadãos portugueses condenados por crimes comuns fora de suas fronteiras, sejam eles nascidos ou não no país. No máximo, ficam obrigados a cumprir a pena por lá após decisão transitada em julgado e pedido formal do governo brasileiro, submetido ao crivo da Justiça de Portugal. 

Marcação de terreno
Reeleito no primeiro turno com vantagem mais elástica que o esperado, o governador Jerônimo Rodrigues já avisou aos principais caciques do PT na Bahia que acabou a era da ingerência em cargos no alto escalão do Palácio de Ondina. Entre os destinatários da mensagem, estão Rui Costa e Jaques Wagner, respectivamente, eleito e reeleito para o Senado. Em resumo, a batida a partir de 2027 vai em compasso contrário à dos quatro anos anteriores, quando o governador teve que engolir goela abaixo o controle sobre pastas estratégicas em mãos alheias. 

Palavra final 
“Jerônimo deixou claro que, agora, o governo será montado a seu gosto. Aceitará sugestão, ouvirá pedidos, claro, mas a decisão final é dele”, confidenciou um importante auxiliar do governador, ao adiantar que a orientação diz respeito até às nomeações de deputados eleitos para acomodar suplentes que não conseguiram um lugar ao sol na corrida pelo Parlamento federal ou estadual.

Gosto muito de você, leãozinho!
Candidatos derrotados à Câmara e à Assembleia Legislativa por legendas alinhadas à oposição remoem abertamente as mágoas por causa da preferência dada pela cúpula do Palácio Thomé de Souza ao secretário municipal de Governo, Cacá Leão (PP), que no fim das contas também derrapou na pista por uma vaga de deputado federal. Segundo apurou a Metropolítica, de fato, tanto o prefeito Bruno Reis (União Brasil) quanto a vice-prefeita Ana Paulo Matos (PDT) gastaram quase todo o suor para eleger o aliado. “Até foto no Instagram com a família inteira vestindo a camisa de Cacá, Bruno postou, e a gente aqui comendo sal”, desabafou um dos queixosos.
 
Jogo de cena
Cria política do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil), o deputado estadual Marcinho Oliveira (PDT) alimentou teorias de trairagem após vestir a camisa da base governista das eleições deste ano e virar a cara para o bloco da oposição, do qual seu padrinho é liderança destacada. Mas como se diz na Bahia de todos os santos e demônios: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Tanto que os dois fizeram dobradinha em diversos municípios e, segundo interlocutores próximos a ambos, a amizade entre eles segue firme e forte.

Tamanho PP
De um espirituoso cardeal do PP ao lamentar as perdas que a legenda sofreu na Bahia a partir da aliança com o União Brasil: “Pelo andar da carruagem, PP já não é mais sigla partidária, é sigla para tamanho”. Faz sentido! 

Metro 1

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